Eu realmente amo ele, mas o amo
com medo de amar, amo passar minhas noites com ele, amo os nossos banhos, amo a
forma como ele me toca, amo quando ele fala alguma besteira bonitinha pra mim e
como eu fico me sentindo uma completa idiota sem saber o que falar depois
disso. Amo aquele sorriso dele, os
perfumes dele, o cheiro dele, o olhar dele, aquele jeito charmoso dele, a
altura dele, as blusas xadrez dele, os nossos cafés, as nossas conversas bêbadas,
as nossas idas ao cinema e quando ele passa pasta na escova de dente pra mim.
Amo a nossa liberdade.
Talvez eu não seja o tipo dele, e
talvez existam outras bem melhores do que eu (gostosas, magras, sem gordurinha,
que não roam unha, que se vistam bem, lindas, o tipo dele...) só esperando pela
ligação dele, ou por uma mensagem, ou o aparecimento dele na festa em que elas
estão, ou na cidade em que elas moram, mas eventualmente minha sorte conspira
ao meu favor, e eu posso ter o melhor abraço e beijo do mundo antes da gente
pegar no sono. E depois acordar com ele,
e fazer carinho no cabelo liso dele, e coçar aquela barba mal feita que eu
tanto gosto, e desligar o despertador chato do celular dele que sempre me
acorda na melhor hora do meu sono. Preocupar-me com o horário do trabalho dele,
e se ele esta se sentindo bem, as vezes sentir ciúmes dele e fazer umas
perguntas estranhas pra ele e ele não entender direito, passar um tempo com ele
e querer passar todo o tempo ao lado dele.
Ele tem me deixado diferente,
como se os outros tenham sido só os outros, como se eu tivesse que ter
conhecido ele há muito tempo, e que todo esse tempo sem ele foi perda de tempo,
não precisando me importar com as atitudes dele, essa é a Letícia confiando
realmente em alguém e não usando ninguém... Tudo isso é um pouco muito exagerado
e confuso, mas no momento isso parece um pouco válido.
Penso que sentirei falta de
certas coisas daqui a uns meses...
“Nunca escolhi Henry, e ele nunca me escolheu. Então como poderia ser
um erro?”
( Audrey Niffenegger – A mulher do viajante no tempo)
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