segunda-feira, 14 de maio de 2012

Clichê


Eu sempre soube que eu nunca fui uma dessas pessoas que ama alguém por muito tempo, talvez você não consiga ainda entender toda essa minha forma melosa, duradoura e não falante de demonstrar o quanto eu gosto e aprecio cada segundo do teu lado, o que eu tento transparecer quase inutilmente é que eu gosto de ti, e gosto muito.
Não me importa muito quando você some no outro dia, ou não responde minhas mensagens, ou não dá a mínima pras coisas que eu te falo, sabe? Essas são as horas que eu me pego lembrando da nossa quase dança no meio de uma cozinha bagunçada, sem musicas lentas e você conduzindo meus passos embaralhados , ou das nossas conversas bebendo chopp do dia anterior e você falando mais do que eu.  Esses são alguns dos momentos que eu não desejaria estar em nenhum outro lugar a não ser do teu lado, desfrutando de cada segundo, cada sorriso teu, cada beijo, me apaixonando ainda mais por um corpo magro e completamente idiota. É como se o meu corpo não desejasse estar longe do teu nesses momentos, é como se ele desejasse ficar cada vez mais e mais perto do teu.
Eu sei, eu tive medo, eu sempre tenho medo, eu não tenho o menor talento pra confiar de cara nas pessoas que me atraem. Mas às vezes você tem que se arriscar, afinal, relacionamentos não se resumem nisso?  Acho que eventualmente, eu precisarei de mais dias como aquele sábado.
E pra que fique mais claro do que já é: eu te amo...

“Se tivéssemos apenas mundo e tempo suficientes”
Andrew Marvell

Fuck


Eu realmente amo ele, mas o amo com medo de amar, amo passar minhas noites com ele, amo os nossos banhos, amo a forma como ele me toca, amo quando ele fala alguma besteira bonitinha pra mim e como eu fico me sentindo uma completa idiota sem saber o que falar depois disso.  Amo aquele sorriso dele, os perfumes dele, o cheiro dele, o olhar dele, aquele jeito charmoso dele, a altura dele, as blusas xadrez dele, os nossos cafés, as nossas conversas bêbadas, as nossas idas ao cinema e quando ele passa pasta na escova de dente pra mim. Amo a nossa liberdade.
Talvez eu não seja o tipo dele, e talvez existam outras bem melhores do que eu (gostosas, magras, sem gordurinha, que não roam unha, que se vistam bem, lindas, o tipo dele...) só esperando pela ligação dele, ou por uma mensagem, ou o aparecimento dele na festa em que elas estão, ou na cidade em que elas moram, mas eventualmente minha sorte conspira ao meu favor, e eu posso ter o melhor abraço e beijo do mundo antes da gente pegar no sono. E depois  acordar com ele, e fazer carinho no cabelo liso dele, e coçar aquela barba mal feita que eu tanto gosto, e desligar o despertador chato do celular dele que sempre me acorda na melhor hora do meu sono. Preocupar-me com o horário do trabalho dele, e se ele esta se sentindo bem, as vezes sentir ciúmes dele e fazer umas perguntas estranhas pra ele e ele não entender direito, passar um tempo com ele e querer passar todo o tempo ao lado dele.
Ele tem me deixado diferente, como se os outros tenham sido só os outros, como se eu tivesse que ter conhecido ele há muito tempo, e que todo esse tempo sem ele foi perda de tempo, não precisando me importar com as atitudes dele, essa é a Letícia confiando realmente em alguém e não usando ninguém... Tudo isso é um pouco muito exagerado e confuso, mas no momento isso parece um pouco válido. 
Penso que sentirei falta de certas coisas daqui a uns meses...

“Nunca escolhi Henry, e ele nunca me escolheu. Então como poderia ser um erro?”
( Audrey Niffenegger – A mulher do viajante no tempo)