Então era um dia de dezembro, as luzinhas de natal já piscavam lá fora, e o ônibus comigo dentro ia para onde deveria ir, no começo a noite não parecia estar tão bonita, sabe? Não parecia aquelas noites de verão, de quando a gente chegava em casa e ficava vendo as estrelas bonitas no céu, o céu tava meio que nem eu, meio sem sabe como aparecer, nem a pobre lua tinha aparecido ainda. Enfim, não sei por que chegar naquela rodoviária me dá uma vontade de partir pra algum lugar, fugir talvez pro mesmo lugar onde ele vai, não sei, não que a realidade esteja difícil demais é só porque me lembro de muita coisa ali, assim como quando eu estava voltando pra casa me lembrei das vezes que esperava ônibus com ele, ou das vezes que o banco ao meu lado estava a minha melhor companhia. Mas, depois de esperar naqueles bancos vermelhos da rodoviária, vi aquele mesmo cara que conseguiu me chamar atenção desde o primeiro dia em que o vi, talvez fosse a ultima vez que eu o vi, mas a mesma sensação que ele tinha me causado na primeira vez me invadiu essa noite. Mas uma hora, a gente sempre tem que dar tchau não é verdade? E é nessas vezes que a gente não sabe como agir, como as coisas vão acontecer daqui pra frente, porque dar tchau é fácil, mas e as coisas mais bonitas do que um tchau? Não que tchaus sejam bonitos mas enfim, eles precisam ser dados. Mas e depois disso? Sabe eu to cansada desse sentimento. Esse sentimento de não saber o que fazer, não saber se liga, se corre atras, se espera alguma coisa acontecer. Eu não sei como agir nesses momentos. Os anos se passam e a minha atitude continua a mesma.
As vezes a gente cansa, sabe aquela questão de ir embora? Eu tô cansada de ir embora, de irem embora. É medo das nossas conversas serem só: "Oi, tudo bem? - Tô bem e você? -Tô bem também." é medo do vazio tomar conta de toda a coisa bonita que a gente leva um tempão pra criar dentro de nós mesmo. Meu problema é viver essa realidade real demais, não que sorrisos não sejam contagiosos mas, já dizia o poeta cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração. Tenho medo de te perder pra esse mundo muito mais maravilhoso e interessante do que eu, de não conseguir ouvir a tua voz e de não receber as tuas ligações. De esquecer do teu cheiro e esquecer das nossas coisas. Obrigada, pela mudança na minha vida, espero que um pedacinho de mim esteja contigo e que tu não esqueças de tudo aquilo que a gente passou...
Afinal, você gosta mais de morangos ou de viajar?
