quarta-feira, 2 de novembro de 2011
"Encontro-o parado ali, assim como eu farei a partir de agora: esperando. E o que ele espera é o que eu também irei esperar, disso eu sei. É óbvio. Esperar junto ao Passado. Contraditório talvez, eu sei. Tento me manter distante dele o quanto posso. Manter aquela Distância Segura. Ver-me como uma bicicleta na traseira de um caminhão betoneira que tem escrito um “Mantenha Distância” em letras garrafais no pára-choque. E até que me dou bem. Me aproximo aos poucos, com todo o cuidado do mundo. Então ele embarca. E eu também. Seguimos junto boa parte do percurso. Distantes, mas de certa forma, juntos. Eu e o Passado em direção a um Futuro incerto. Então ele dá sinal e desce. Olho pelo retrovisor e vejo-o me observando, forçando os olhos para conseguir manter o foco. Ele não se move mais, fica ali, parado, como deve ser. E eu me dou conta que meu ônibus segue, pra frente, sempre. O Passado fica pra trás e em pouco tempo não o enxergarei mais, simples assim. Ele estático e eu me movendo em direção ao Futuro. Às vezes me sinto estranho com as coisas acontecendo assim: da maneira correta. Enfim…"
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